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Atenção ao outro – uma consciência sobre o suicídio


Como um hospital que leva saúde no nome, a São Carlos preza pela vida. E por isso não poderíamos deixar passar uma data importante: 10 de setembro, o Dia Mundial de Conscientização e Prevenção do Suicídio. Este é um problema de saúde pública em todo o mundo e necessita de atenção.

De acordo com o Ministério da Saúde, são registrados por ano cerca de 11 mil suicídios no Brasil e mais de 800 mil no mundo. Embora seja um tema delicado e pouco falado, acreditamos na importância do alerta: conversar sobre o assunto, identificar sinais de risco e o principal: oferecer ajuda.

Fatores de risco para o suicídio:

  • Perda recente de um ente querido;
  • Histórico de suicídio na família;
  • Vítima de abuso, assédio e/ou bullying.

Como perceber os sinais?

É importante notar o outro e observar se houve alguma mudança em seu comportamento, encontrando-se desesperançoso, sem planos para o futuro, angustiado ou se vem repetindo afirmações negativas, como a de que não deseja mais viver.

Como ajudar?

O primeiro passo é conseguir olhar e ouvir os que estão ao seu redor. Por mais que seja difícil reservar um tempo para si próprio devido à correria do dia a dia, é importante dispor de uma mínima atenção àqueles a sua volta.

“Isso não é nada complexo: basta perguntar se está tudo bem e ao invés de continuar andando, parar para ouvir a resposta. É importante que a pessoa se sinta especial e saiba que alguém se importa com ela”, afirma Jéssica Riba, psico-oncologista da São Carlos.

 “O maior problema que passamos hoje é não saber escutar o outro. E isso não é nada complexo: basta perguntar se está tudo bem e ao invés de continuar andando, parar para ouvir a resposta. É importante que a pessoa se sinta especial e saiba que alguém se importa com ela”, explica Jéssica Riba, psico-oncologista da São Carlos.

A psicóloga complementa ainda que se uma pessoa fala para você que não está bem e encontra-se triste, sem esperanças, que este é o momento certo de dizer da importância de recorrer a uma ajuda:

“Conversar com outro amigo ou familiar que o paciente possui apego; ligar para o Centro de Valorização da Vida, buscar um lugar legal onde possa conversar ou até mesmo procurar um psicólogo. Se você não souber o que fazer, ofereça essas alternativas. Entretanto, ajudar só será possível estando disponível” afirma a psicóloga.

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação sem fins lucrativos, que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

É possível entrar em contato com o CVV gratuitamente e a qualquer hora do dia pelo número 188, pessoalmente nos mais de 90 postos de atendimento ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail.

O que não fazer

Independente se você identificou ou não algum sinal de que determinada pessoa esteja propensa a cometer o suicídio, procure não deixa-la desemparada. Sendo assim, deixar de conversar ou não ouvir qualquer pessoa que lhe procura buscando atenção são atitudes que devem ser evitadas.

“Às vezes não temos interesse pela fala do outro e respondemos com um genérico ‘vai ficar tudo bem’, mas não pode ser assim. É preciso saber ouvir o que o outro tem a dizer. Isso é muito importante” – afirma Jéssica Riba.

Como os sinais podem ser visíveis na família e no paciente oncológico?

A notícia de uma situação ruim é sempre difícil, principalmente quando falamos de pacientes diagnosticados com câncer. Porém, é importante ter em mente que os seus familiares ficam também abalados. De acordo com a psicóloga, isso acontece porque eles sofrem o luto antecipado e ficam sobrecarregados, em especial o cuidador principal, quem sempre recebe as más notícias primeiro.

Pensando nessa questão, a São Carlos oferece um olhar diferenciado, promovendo uma relação de valor tanto com os nossos pacientes, quanto com os seus familiares. Além de conversar com o paciente e entender suas necessidades, temos um bate papo também com quem está o acompanhando e caso notemos a necessidade da assistência psicológica, é feito o encaminhamento.