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Estratégia de otimização em tratamentos de Radioterapia para tumores de próstata – técnica VMAT


No contexto de tratamento do câncer com a Radioterapia, significativos avanços estão sendo alcançados para oferecer ferramentas computacionais mais eficientes de planejamento do tratamento, o que leva a obter bons resultados sem demandar extrema complexidade.

Para a entrega da dose prescrita pelo médico rádio-oncologista, o físico médico tem atualmente disponíveis diversas técnicas de tratamento:

  • Radioterapia convencional (2D);
  • Radioterapia conformacional (3D CRT);
  • Radioterapia de intensidade modulada (IMRT);
  • Arcoterapia de intensidade modulada (VMAT).

A técnica VMAT é capaz de proporcionar uma alta conformidade das distribuições de dose entregues, minimizando assim os efeitos aos órgãos sadios que estão próximos ao tumor. Todo o processo envolvido no planejamento de um tratamento com VMAT é vinculado a um sistema computacional, através do planejamento inverso, onde o físico definirá os objetivos do plano e o sistema encarrega-se de calcular a distribuição de dose obedecendo tais objetivos. Incorporado ao sistema, em uma etapa chamada otimização, onde os objetivos são definidos, existem algoritmos de cálculo da dose. Por isso faz-se necessário que o físico explore os diferentes algoritmos e entenda as diferenças e vantagens de cada um.

Na versão 13.6 do sistema de planejamento EclipseTM (Varian Medical Systems) está disponível uma ferramenta de otimização chamada Equivalente de Dose Uniforme Generalizada (gEUD) pouco utilizada atualmente. Alguns trabalhos científicos têm mostrado que essa ferramenta é um eficiente instrumento de otimização, ainda que este seja usado de forma diferente de sua concepção inicial.

A partir do conhecimento teórico sobre o assunto foram selecionados alguns pacientes submetidos a radioterapia de próstata com a técnica VMAT e ré-otimizados com a ferramenta gEUD. Esse estudo inicial teve o objetivo de conhecer e entender na prática o seu funcionamento e as diferenças no resultado em relação a otimização convencional. Em um tratamento de próstata, os principais órgãos de risco são o reto, bexiga e fêmures. Observamos através dos resultados obtidos que houve redução substancial na dose média e nas doses recebidas por um volume de 20% e 25% de reto e bexiga, respectivamente.

A utilização da ferramenta de gEUD como estratégia de otimização se mostrou interessante, pois permite reduzir o tempo de planejamento e minimizar a dose nos órgãos de risco em toda sua extensão.

Os resultados desse estudo foram publicados na XVII JORNADA DE FÍSICA MÉDICA do XIX CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE RADIOTERAPIA em 2017.

 

Artigo de Samuel Façanha, da equipe de Física Médica da São Carlos Saúde Oncológica